Estilo de Redação em Comunicação Interna

A forma como falamos e escrevemos impacta – e muito – a percepção dos empregados sobre a empresa. Bruna dos Reis Francischelli levanta essa questão no texto a seguir, escrito especialmente para o blog.

“ Uma das preocupações que fazem parte do dia a dia do profissional de comunicação interna está relacionada ao estilo de linguagem utilizada nos canais de comunicação direcionados aos colaboradores, pois é preciso fazer com que todos os níveis hierárquicos entendam claramente as mensagens transmitidas, diminuindo as possibilidades de ruído. Em princípio, isso pode parecer fácil e óbvio, mas muitas empresas ainda escorregam nesse quesito. Assim, pontuo abaixo alguns itens que devem ser considerados na hora de desenvolver as mensagens.

Cultura da Organização: Parte das organizações ainda têm a tradição como valor forte, que determina os contornos do discurso organizacional. Essas utilizam a linguagem formal em qualquer circunstância. Outras organizações, porém, apostam na modernidade, o que permite uma comunicação formal com espaço para uso de figuras de linguagem, e um texto mais livre, informal. Isso, de forma alguma, implica no uso de palavras demasiadamente coloquiais ou desrespeito à norma culta da língua portuguesa. Apenas significa que essas organizações podem utilizar termos do cotidiano para aproximar-se de seus funcionários em sua comunicação. Não há certo ou errado; há apenas uma identidade a ser respeitada.

Teor da Mensagem: Aqui, é preciso levar em consideração o que está sendo comunicado para determinar o estilo. Assuntos delicados, como fechamento de uma unidade (no caso de fábricas ou filiais), mudanças nos quadros de liderança ou crise sempre vão demandar uma postura séria, que deve estar refletido no discurso.

Multiplicidade de Públicos: Chegamos ao ponto mais complicado, principalmente se tratamos de uma organização que tenha colaboradores de diferentes níveis de formação. Pessoas com alto nível educacional exigirão muito da comunicação, ao passo que palavras fora de uso cotidiano e acesso podem atrapalhar o entendimento dos profissionais com menor qualificação. De forma alguma pode-se dizer que o profissional com menor qualificação é incapaz de entender uma mensagem. Mas, de fato, é necessário cuidado, principalmente se o assunto for complexo como, por exemplo, a explicação dos cálculos que resultam nos indicadores de Participação nos Resultados.

Esses três pontos podem ser destrinchados a partir de estudos do contexto organizacional e por meio da experimentação. A prática diária, junto com o feedback dos colaboradores sobre os canais de comunicação, ajudam a construir a comunicação ideal para aquela organização. A comunicação ideal é aquela que se adéqua às necessidades dos colaboradores; nem sempre há uma receita de bolo para isso”.

Bruna dos Reis Francischelli é relações públicas formada pela Cásper Líbero e tem se dedicado ao estudo e à prática da comunicação interna em grandes empresas do setor industrial. Nos seus planos, está voltar à Academia, mas como professora.

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3 Comments on "Estilo de Redação em Comunicação Interna"

  1. Paulo du'Santus disse:

    Parabens Bruna, ótimo texto. Embora não trabalhe com Comunicação Interna (Não formalmente pelo menos), uma das minhas preocupações quando escrevo tem sido essa, nosso público é misto e multicultural, trabalhamos com pessoas de países diferentes e isso também tem sido um desafio, nossa sede é na Alemanha e temos filiais aqui no Brasil, India, China… Portanto me alegra saber que não há “receita” a seguir, a experimentação é um desafio e desafios são sempre fatores motivacionais…

  2. Giuliano Cunha disse:

    Muito bom o texto, bastante explicativo e muito bem escrito.

    Parabéns.

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