Comunicação interna da sustentabilidade nas indústrias químicas

O post de hoje é uma contribuição da Camila Perrud e fala de um assunto pra lá de atual: a comunicação para a sustentabilidade!

Nenhuma empresa duvida que a sustentabilidade agrega valor aos negócios. Mas, e quando a empresa não lida diretamente com o consumidor final e suas atividades não são tão conhecidas pelo grande público? Como ela pode mostrar que adota os princípios do desenvolvimento sustentável?

Esses são alguns dos desafios enfrentados pelas empresas da indústria química, vistas por muitos como responsáveis por boa parte da poluição, mas que em sua maioria, desde a década de 90, adotam procedimentos exemplares quando se trata de sustentabilidade. Em recente pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC), o segmento teve as maiores médias em Gestão para Sustentabilidade.

Algumas das atribuições mais comuns dos comunicadores que atuam neste setor são o relacionamento com a comunidade, gestão de crises e assessoria de imprensa. Tudo isso para que os stakeholders (partes interessadas) estejam a par do que as organizações realizam. E a comunicação interna, atividade com relevância crescente nos últimos anos, também é muito importante para a estratégia de sustentabilidade das empresas do segmento. Esse foi o tema do estudo exploratório que realizei em meu trabalho de conclusão de especialização na USP, “A comunicação interna da sustentabilidade nas empresas da indústria química”, com três das maiores indústrias químicas instaladas no Brasil.

As três empresas contam com áreas de comunicação muito bem estruturadas e influentes, ligadas diretamente à presidência. Para informar e engajar seus empregados, o portfólio de canais dessas organizações é muito semelhante, mas a maneira como a comunicação da sustentabilidade é feita, bem como seu objetivo e discurso, diferem e dependem diretamente da cultura das companhias – multinacionais com origem em diferentes países – e do lugar que a sustentabilidade ocupa em cada uma delas.

Mais do que simplesmente comunicar o que fazem para seus empregados, apresentando as soluções que lançam no mercado ou projetos sociais, essas empresas, consideradas por publicações especializadas as mais sustentáveis do setor, praticam a comunicação para a sustentabilidade. Afinal, garantir que o empregado conheça as ações de responsabilidade socioambiental e tenha um comportamento sustentável dentro da organização pode até garantir bons resultados, mas ao fazer isso, ignora-se a necessidade de uma comunicação mais ampla que promova também a educação sobre o tema.

A vulnerabilidade do setor, isto é, os riscos aos quais está exposto, especialmente quando se trata do cuidado com o meio ambiente, ainda é um desafio para os comunicadores do segmento, exigindo deles que atuem de forma estratégica, transparente e assertiva para apresentar e tornar compreensíveis para os funcionários temas complexos, mas essenciais, como segurança do trabalho, inovação e os passivos ambientais.

Se mostra cada vez mais necessária na indústria química a presença de profissionais de comunicação interna que saibam interpretar cenários, que sejam conhecedores do setor, de suas forças e fraquezas, e das tendências mundiais que determinam os rumos do mercado.

Camila Perrud é formada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela USP. Atua como Especialista de Comunicação na IBM e já trabalhou em comunicação interna também na Eucatex, Rhodia e Semasa. 

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One Comment on "Comunicação interna da sustentabilidade nas indústrias químicas"

  1. Julia Gumiel disse:

    Olá, como posso ter acesso à esse trabalho de conclusão? Não achei no sistema da biblioteca da USP

Tem algo a dizer? Fique a vontade!

 
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