Redes sociais na comunicação com (e entre) empregados

As ferramentas não operam milagres, mas podem beneficiar – e muito – as empresas. Essa observação muito bem colocada para contextualizar a matéria “Redes sociais agora são ferramentas de produtividade”, publicada pela EXAME, traz um interessante panorama e alguns cases de sucesso do uso das redes sociais na comunicação com (e entre) empregados.

Recomendo a leitura da matéria, assinada pela Aline Scherer, e aproveito para fazer alguns comentários que considero importantes nesse contexto:

• Os cases mencionados levantam histórias de grandes empresas, com quantidades significativas de empregados, mas, ainda assim, relatam usos em ações segmentadas. E isso é natural e faz parte da dinâmica das redes. Assim, fica muito mais fácil quando se tem uma demanda específica não atendida e a tecnologia entra para ajudar a resolvê-la (e não para criar mais um problema).

• Neste sentido, outra perspectiva importante de se abordar é que a rede social, como qualquer outro canal de comunicação, é – e assim deve ser encarada – apenas como um meio de se obter sucesso. Sempre me assusto quando vejo em empresas projetos cujo objetivo é a criação de determinado canal. É importante encará-la sempre como MEIO de comunicação, portanto, na criação de uma rede social digital interna, seu sucesso está diretamente relacionado ao objetivo de seu desenvolvimento, por isso, recomenda-se que seja projetada para resolver alguma necessidade de negócio – e não porque é uma tendência global.

• A redução da quantidade de e-mail é algo bastante citado na matéria (e também faz parte de um dos principais argumentos de venda das empresas fornecedoras deste tipo de tecnologia). É preciso, no entanto, considerar se a empresa tem uma cultura que não seja refratária à adoção de novas ferramentas e se não tem o costume de usar o e-mail como blindagem interna, o que é bastante comum: “Eu te mandei um e-mail, me livrei do problema e ele passa a ser seu”.

• Aliás, como a própria matéria da EXAME cita, conhecer os aspectos da cultura organizacional vale para toda a etapa de avaliação sobre a implementação deste tipo de canal e está diretamente relacionada ao seu sucesso. “O uso das redes corporativas está fadado ao fracasso se não houver na empresa uma cultura sedimentada de estímulo à colaboração. Segundo a pesquisa da McKinsey, se a lógica dominante for a de esconder informações de pares e subordinados, só o que é irrelevante será compartilhado e, com o tempo, ela não terá nenhuma atratividade”.

• É relevante se questionar se a organização está acostumada e aberta ao aprendizado pela prática; se a liderança participa e apoia a comunicação entre os empregados e se está preparada para lidar com demandas não esperadas. A rede social digital tenderá a ser um reflexo do ambiente off-line na internet. Costumo fazer o paralelo com blogs do presidente: se o executivo não tem o menor trato com as pessoas no dia a dia (não cumprimenta os empregados, vive com a porta fechada, protegido por uma secretária raivosa, não cria nenhum fórum de discussão presencial, etc.) por que será que alguém se interessaria em acessar e comentar seu blog?

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