Entrevista com Newton Branda destaca a importância da Cultura Organizacional

Pensando em como abordar o tema Cultura Organizacional de forma diferente aos nossos leitores, trazendo o olhar de um especialista do mercado com ampla vivência do tema, decidimos entrevistar Newton Branda, consultor de Comunicação e Cultura Organizacional. O resultado desse bate-papo você confere a seguir:

  1. O que você entende por cultura organizacional?

Cultura Organizacional manifesta o que realmente é valor para uma empresa. Ela representa o conjunto de comportamentos dos colaboradores, a forma como seus processos estão desenhados e o sentido de seus símbolos e rituais cotidianos. Ela define os limites até onde os comportamentos podem ser diferentes uns dos outros. Transmite um sentido de identidade aos membros da organização. Facilita e estimula os indivíduos a assumir um compromisso maior que apenas com seus interesses pessoais.

A Cultura é o vínculo social que ajuda a manter unida a organização ao proporcionar direcionadores sobre como seus membros devem se comportar e se expressar. Resumindo em uma palavra, cultura é a expressão interna da ética organizacional.

  1. Por que você considera que esse tema é relevante para as organizações hoje em dia?

A Cultura influencia diretamente a percepção, os sentimentos e os comportamentos dos indivíduos. Tendo isto em mente, entendemos que a Cultura é fundamental para a realização da estratégia organizacional. Sem uma Cultura forte e coerente, a estratégia simplesmente não se realiza.

No contexto altamente complexo e dinâmico em que o mundo vive hoje, só ganharão espaço as empresas com capacidade de rapidamente responder ao mercado por meio de evoluções contínuas em suas estratégias que, invariavelmente, devem ser acompanhadas pela adaptação da cultura interna, permitindo assim respostas rápidas e inovações disruptivas.

Desta forma, uma Cultura Organizacional coerente e alinhada com a visão de futuro de uma empresa é mais importante do que o desenho da própria estratégia.  O modo como seus líderes e demais colaboradores se comportam, se organizam e tomam decisão dentro da companhia é definidor para o sucesso e longevidade do negócio. Principalmente em um cenário como o atual, repleto de incertezas.

  1. Quais os principais desafios que você enxerga relacionados ao tema?

Neste atribulado caminho de atualização constante, é preciso manter-se fiel à essência, aos valores e ao propósito da organização. De nada adianta se adaptar ao mercado se, no processo, forem sacrificados os elementos constituintes de sua marca. É necessário mudar, mas sem perder o DNA. Os colaboradores precisarão reconhecer o valor que sempre viram em trabalhar juntos e seus clientes, em optar por seus produtos e serviços. Para tanto, faz-se necessária uma compreensão profunda da cultura atual do negócio a fim de descobrir quão alinhada ela permanece aos valores organizacionais e qual seu potencial para alavancar as mudanças estratégicas que, certamente, virão.

  1. A seu ver, qual a relação entre a cultura organizacional e a comunicação com empregados?

Cultura organizacional pertence a um trinômio indissociável. Ela, como mencionei anteriormente, é o fator que representa a ética de uma empresa, ou seja, entre outras coisas, dá norte às decisões corporativas. Por outro lado, a Marca está ligada à estética dos negócios, como ele se revela, se mostra, principalmente para fora dos muros da organização. O terceiro elemento deste trinômio é a Comunicação Interna, grande responsável pela expressão multiplicadora das mensagens de Marca e de Cultura.

A Comunicação Interna é a principal fonte da linguagem de uma empresa. Representa a lógica interna da organização. Tem a responsabilidade de disseminar de maneira coerente e exemplar as expressões e informações fundamentais para a boa manutenção da operação e do entendimento unificado sobre o que está acontecendo na companhia e nas suas relações com o mundo.

  1. Como pode ser desenvolvido um bom trabalho de cultura organizacional?

O primeiro passo é identificar qual é a cultura desejada. Sem este ponto de partida e o comprometimento da alta liderança da companhia, não se chega a lugar algum. Em seguida, deve-se verificar o nível de engajamento dos colaboradores com a organização, seus valores, estratégia atual e visão de futuro. Isto pode ser feito por meio de uma pesquisa de clima já existente ou mesmo por meio de pesquisas específicas de cultura e engajamento. A partir do resultado, deve-se elaborar um plano de ação com foco no alinhamento entre os indivíduos e a cultura desejada, a começar por seus líderes, principais criadores de exemplos que, certamente, serão seguidos na empresa. Neste plano de ação, deve haver ainda uma revisão detalhada dos processos internos (em especial aqueles relacionados a reconhecimento, como Promoções, Participação em Lucros e Resultados, Gratificações etc.) para entender se eles reforçam ou fragilizam a cultura desejada. Além disso, é preciso identificar como funcionam os rituais da empresa e quais são seus símbolos para, da mesma forma, entender se são agentes construtores da cultura. A partir destes três pilares (Comportamentos, Processos, Símbolos/Rituais) poderemos, no tempo certo, fazer acontecer no dia a dia da empresa a cultura que queremos.

Porém, não podemos esquecer que o fator principal de sucesso em todo este processo está na coerência. Se não houver real integração (e intenção) entre o discurso apregoado e a prática exercida, as mensagens vindas da liderança irão apenas gerar mais esquizofrenia no ambiente e menos comprometimento com a realização da estratégia.

  1. Por fim, quais os benefícios que a organização tem quando ela cuida da cultura organizacional dela?

O bom entendimento e o balanço adequado do trinômio “Ética x Estética x Comunicação Interna” em uma empresa e sua aplicação em resposta aos desafios estratégicos que a volatilidade dos tempos atuais nos impõe certamente trarão como resposta uma lógica eficaz de adaptação contínua, coerente com a essência do negócio. Desta forma, a companhia poderá se adequar às alterações em seu meio, sejam elas de mercado ou no perfil de colaboradores, consumidores e clientes, permitindo assim uma vida longa e produtiva ao negócio.

 

(Newton Branda é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e possui mais de 10 anos de experiência em multinacionais de médio e grande portes, tendo atuado diretamente na criação, desenvolvimento e implantação da área de Cultura na Natura. Durante os 15 anos anteriores, foi editor de diferentes revistas, entre elas: Vogue, Gula, Visão, Casa Vogue, Casa & Jardim e Forbes.)

Comments

comments

Artigos relacionados

Tem algo a dizer? Fique a vontade!

 
Seguir

Receba os posts em seu email.

Cadastre seu email